O
cotidiano escolar no Brasil pode ser insuportável para a maioria dos
profissionais da educação. A conclusão é do historiador Danilo Alexandre
Ferreira de Camargo, autor da dissertação de mestrado “O abolicionismo escolar:
reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores”, defendida na
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

O
pesquisador ressalva que sua intenção não é questionar os trabalhos
desenvolvidos, e sim a escola como instituição. Aplicando o conceito de
governamentalidade desenvolvido pelo filósofo francês Michel Foucault, Danilo
Alexandre Ferreira de Camargo defende que o adoecimento dos professores e sua
posterior deserção profissional são resultados das condutas internas da
instituição escolar.
Essa
realidade, acredita o historiador, torna natural o processo de burocratização
da infância, que por sua vez resulta em cidadãos facilmente comandados
politicamente. Assim, conclui Danilo Alexandre Ferreira de Camargo, os
problemas da realidade escolar devem ser encarados como uma questão política, e
não apenas como desvios morais de alunos e professores.
A
questão central da dissertação, segundo o autor, não é propor uma nova
plataforma educacional, e sim provocar reflexões sobre a incapacidade da
sociedade contemporânea de imaginar um modelo educacional substituto. “Nossa
sociedade percebe o ensino escolarizado como algo absolutamente natural e
indispensável, apesar do mesmo existir da forma que conhecemos hoje somente a
partir do século XIX”, destaca.
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